Magnésio Treonato realmente funciona? O que a ciência sabe até agora

Se você pesquisou sobre suplementos para memória, foco ou saúde cerebral nos últimos meses, provavelmente se deparou com o magnésio treonato. Em meio a tantas promessas e vídeos nas redes sociais, ele ganhou a fama de ser o "magnésio do cérebro", sendo apontado por muitos como uma solução para melhorar a memória, a concentração e até a qualidade do sono.

Mas será que tudo isso é verdade? Ou estamos diante de mais uma tendência exagerada da indústria da suplementação?

A resposta, como acontece com a maioria dos assuntos relacionados à saúde, está em algum lugar entre os dois extremos.

Embora o magnésio treonato seja uma das formas mais interessantes de magnésio estudadas atualmente, ainda existem algumas informações que são frequentemente simplificadas ou até distorcidas. Por isso, vale a pena entender o que a ciência realmente diz sobre esse suplemento.


O que é o magnésio treonato?

O magnésio treonato é uma forma de magnésio ligada ao ácido L-treônico, uma substância derivada da vitamina C.

Ele foi desenvolvido com um objetivo bastante específico: aumentar a disponibilidade de magnésio no sistema nervoso central.

Isso é importante porque o magnésio participa de centenas de reações no organismo e desempenha papel fundamental em funções relacionadas a:

  • Produção de energia;

  • Transmissão dos impulsos nervosos;

  • Plasticidade cerebral;

  • Aprendizado e memória;

  • Relaxamento muscular;

  • Regulação do sono.

Embora outras formas de magnésio, como citrato, dimalato ou glicinato, sejam excelentes para corrigir deficiências e oferecer benefícios gerais ao organismo, o magnésio treonato despertou interesse justamente por apresentar características que parecem favorecer um aumento dos níveis de magnésio no cérebro.


Afinal, ele realmente atravessa a barreira hematoencefálica?

Essa talvez seja a frase mais repetida quando se fala em magnésio treonato.

E aqui existe uma pequena confusão.

É muito comum encontrar a afirmação de que o magnésio treonato "atravessa a barreira hematoencefálica", como se as outras formas de magnésio fossem incapazes de chegar ao cérebro. Mas a realidade é mais complexa.

Os estudos conduzidos em animais demonstraram aumento da concentração de magnésio no líquido cerebroespinal após a suplementação com magnésio treonato. Esse efeito não foi observado da mesma forma com outras formas de magnésio avaliadas.

No entanto, em seres humanos, ainda não existem evidências diretas mostrando esse mecanismo de maneira definitiva.

Por isso, a afirmação mais correta seria:

O magnésio treonato é a forma de magnésio que possui as evidências mais promissoras para aumentar a disponibilidade de magnésio no sistema nervoso central, mas ainda são necessários mais estudos em humanos para confirmar completamente esse mecanismo.

Essa diferença pode parecer pequena, mas faz toda a diferença para separar ciência de marketing.


O que os estudos mostram?

As primeiras pesquisas realizadas em animais chamaram bastante atenção.

Os pesquisadores observaram melhora na plasticidade sináptica — a capacidade que os neurônios possuem de criar novas conexões — além de melhorias em testes relacionados ao aprendizado e à memória.

Nos últimos anos, alguns estudos em humanos também passaram a investigar seus efeitos.

Os resultados sugerem benefícios em determinados aspectos da função cognitiva, principalmente em adultos mais velhos e pessoas que apresentam queixas relacionadas à memória.

Entretanto, é importante entender que os efeitos observados estão longe daquela ideia de "super cérebro" frequentemente divulgada nas redes sociais.

O que a literatura científica sugere é algo mais modesto e muito mais plausível: o magnésio treonato pode ser uma ferramenta interessante para ajudar a preservar a função cognitiva e favorecer processos relacionados à memória e ao aprendizado, especialmente ao longo do envelhecimento.


E quanto ao sono?

Curiosamente, muitas pessoas começam a utilizar o magnésio treonato em busca de melhora da memória e acabam relatando outro benefício: uma qualidade de sono melhor.

Embora os estudos sobre esse efeito específico ainda sejam limitados, existe uma explicação fisiológica bastante plausível.

O magnésio participa da regulação de neurotransmissores relacionados ao relaxamento, além de influenciar a atividade dos receptores NMDA e GABA, importantes para o equilíbrio do sistema nervoso.

Por isso, níveis adequados de magnésio podem favorecer um estado de maior relaxamento e contribuir para uma melhor qualidade do sono.

Isso não significa que o magnésio treonato seja um sedativo. Seu efeito parece estar mais relacionado à promoção de um ambiente fisiológico favorável ao descanso.


Quem pode se beneficiar mais?

Embora qualquer pessoa possa utilizar o magnésio treonato, alguns grupos costumam despertar maior interesse dos pesquisadores:

Adultos acima dos 40 anos

Com o envelhecimento, a saúde cerebral passa a receber cada vez mais atenção, e estratégias voltadas para a preservação da função cognitiva tornam-se mais relevantes.

Pessoas submetidas a muito estresse

O estresse crônico aumenta a demanda do organismo por magnésio e pode contribuir para sintomas como fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração.

Indivíduos com dificuldades para relaxar

Muitas pessoas relatam sensação de maior tranquilidade e melhora do sono, embora os efeitos sejam individuais.

Pessoas interessadas em envelhecimento saudável

A preservação da memória e da função cognitiva é um dos temas mais estudados na área da longevidade.


Qual é a dose utilizada nos estudos?

Grande parte dos trabalhos utiliza aproximadamente 1.500 a 2.000 mg de magnésio treonato por dia.

Essa quantidade fornece algo em torno de 144 mg de magnésio elementar.

Por isso, comparar apenas os miligramas presentes no rótulo pode ser enganoso. O mais importante é verificar a quantidade de magnésio elementar fornecida pela dose recomendada pelo fabricante.


Existem efeitos colaterais?

De maneira geral, o magnésio treonato apresenta boa tolerabilidade.

Os efeitos adversos mais relatados incluem:

  • Desconforto gastrointestinal;

  • Sonolência em algumas pessoas;

  • Fezes mais amolecidas.

Em indivíduos saudáveis, o suplemento costuma apresentar um perfil de segurança bastante favorável.

No entanto, pessoas com insuficiência renal ou condições médicas específicas devem sempre conversar com um médico antes de iniciar qualquer suplementação.


Vale a pena investir em magnésio treonato?

Essa é provavelmente a pergunta mais importante.

Se você espera um suplemento capaz de transformar sua memória da noite para o dia ou aumentar drasticamente a inteligência, a resposta é não.

Mas, se o objetivo é investir em uma estratégia com base científica, voltada para a saúde cerebral, envelhecimento saudável e possivelmente uma melhor qualidade do sono, o magnésio treonato é, sem dúvida, uma das formas mais interessantes de magnésio disponíveis atualmente.

Ele não faz milagres, mas possui fundamentos biológicos plausíveis e resultados promissores em pesquisas, especialmente quando associado a hábitos que realmente exercem grande impacto sobre o cérebro, como:

  • Sono adequado;

  • Exercícios físicos;

  • Alimentação equilibrada;

  • Controle do estresse;

  • Aprendizado contínuo.


Então, magnésio treonato realmente funciona?

A resposta curta é: sim, mas talvez não da maneira como muitas propagandas fazem parecer.

As evidências atuais sugerem que ele pode contribuir para a saúde cerebral e para a manutenção da função cognitiva, especialmente em adultos mais velhos. Além disso, muitas pessoas relatam benefícios relacionados ao relaxamento e à qualidade do sono.

Por outro lado, ainda são necessários mais estudos em humanos para entendermos plenamente seus efeitos e mecanismos de ação.

Em outras palavras, o magnésio treonato não é uma solução milagrosa, mas certamente está entre os suplementos mais promissores quando o assunto é cognição e envelhecimento saudável.


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Referências científicas

  • Slutsky I et al. Enhancement of Learning and Memory by Elevating Brain Magnesium. Neuron. 2010.

  • Liu G et al. Magnesium-L-threonate promotes synapse density and enhances memory. Scientific Reports.

  • Abumaria N et al. Effects of magnesium-L-threonate on cognitive functions. Frontiers in Aging Neuroscience.

  • Gröber U et al. Magnesium in Prevention and Therapy. Nutrients. 2015.

  • Barbagallo M et al. Role of Magnesium in Aging and Cognitive Function. Magnesium Research. 2019.

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