Proteína da carne: a nova tendência das proteínas realmente vale a pena?

Por muitos anos, quando alguém falava em suplementação proteica, a primeira coisa que vinha à cabeça era o whey protein. Afinal, ele se consolidou como um dos suplementos mais estudados e utilizados do mundo.

Mas, nos últimos anos, um novo tipo de proteína começou a ganhar espaço nas prateleiras e nas conversas entre praticantes de academia: a proteína da carne.

Prometendo alto teor proteico, digestão facilitada e uma alternativa para pessoas que não se adaptam aos derivados do leite, ela vem despertando a curiosidade de muita gente.

Mas será que estamos diante da próxima grande tendência da suplementação ou apenas de mais uma novidade impulsionada pelo marketing?

Vamos entender o que a ciência e a nutrição esportiva têm a dizer.


O que é a proteína da carne?

Apesar do nome sugerir algo parecido com um bife em pó, a realidade é um pouco diferente.

A maioria dos suplementos conhecidos como "Beef Protein" é produzida a partir da carne bovina, que passa por processos de hidrólise e concentração para aumentar o teor de proteínas e remover boa parte das gorduras e do colesterol.

O resultado é um produto com elevada concentração proteica e perfil de aminoácidos interessante para quem busca complementar a ingestão diária de proteínas.


Ela é uma proteína completa?

Sim.

A proteína da carne contém todos os aminoácidos essenciais, incluindo a leucina, aminoácido considerado um dos principais gatilhos para estimular a síntese proteica muscular.

Isso significa que, do ponto de vista nutricional, ela pode ser considerada uma proteína completa, assim como:

  • Whey Protein;

  • Caseína;

  • Proteína do ovo;

  • Proteína da soja.


Ela é melhor que o whey protein?

Provavelmente não.

E aqui é importante separar tendência de realidade.

Até o momento, os estudos não demonstram que a proteína da carne seja superior ao whey protein para:

  • Ganho de massa muscular;

  • Recuperação muscular;

  • Aumento de força.

Na prática, ambas são capazes de fornecer aminoácidos essenciais para estimular a síntese proteica.

O whey continua sendo a referência da nutrição esportiva devido à sua alta digestibilidade, excelente perfil de aminoácidos e enorme quantidade de pesquisas científicas.

Portanto, se você já utiliza whey e está satisfeito, não existe motivo para trocar apenas porque a proteína da carne se tornou popular.


Então por que ela vem crescendo tanto?

Existem alguns motivos bastante interessantes.

Alternativa para quem não se adapta ao whey

Embora o whey protein seja derivado do leite, algumas pessoas apresentam desconfortos gastrointestinais, mesmo utilizando versões isoladas.

Nesses casos, a proteína da carne pode representar uma opção interessante.


Diversificação das fontes proteicas

Cada vez mais pessoas estão buscando variar a alimentação e a suplementação, e isso inclui diferentes fontes de proteína.


Facilidade de digestão

Muitos usuários relatam sensação de digestão mais leve quando comparada a algumas proteínas derivadas do leite.

Entretanto, a resposta é bastante individual.


Tendência do mercado

O crescimento da categoria também está relacionado à busca por produtos diferenciados e à expansão do setor de suplementação esportiva.


E quanto à quantidade de leucina?

A leucina é um dos aminoácidos mais importantes para estimular a construção muscular.

O whey protein continua apresentando uma das maiores concentrações naturais desse aminoácido.

A proteína da carne também fornece leucina, mas geralmente em quantidades ligeiramente menores.

Na prática, isso dificilmente fará diferença significativa para a maioria das pessoas, desde que a ingestão total de proteínas esteja adequada.


Ela contém creatina naturalmente?

Essa é uma dúvida bastante comum.

Embora a carne bovina seja naturalmente uma fonte de creatina, o processamento utilizado na fabricação da maioria das proteínas da carne remove praticamente toda a creatina presente originalmente.

Portanto:

Não considere a proteína da carne como uma fonte significativa de creatina.

Se o objetivo for aumentar os estoques musculares de creatina, a suplementação com creatina monohidratada continua sendo a estratégia mais eficiente.


Quem pode se beneficiar mais?

A proteína da carne pode ser interessante para:

Pessoas com desconforto ao utilizar whey protein

Especialmente indivíduos com maior sensibilidade aos derivados do leite.

Quem busca diversificar as fontes proteicas

Variar as fontes alimentares é algo perfeitamente saudável.

Pessoas em dietas com restrição de lactose

Embora seja importante verificar a composição específica de cada produto.

Consumidores que preferem proteínas de origem animal diferentes do leite


Existe alguma desvantagem?

Como toda categoria de suplemento, existem alguns pontos a considerar.

Preço

Em muitos casos, a proteína da carne pode apresentar custo mais elevado.

Menor quantidade de estudos

O whey protein possui décadas de pesquisas científicas. A proteína da carne ainda não apresenta o mesmo volume de evidências.

Marketing exagerado

Algumas propagandas sugerem que ela seria superior ao whey ou possuiria naturalmente grandes quantidades de creatina, o que não é sustentado pelas evidências atuais.


Estamos diante da nova tendência das proteínas?

Sem dúvida, a categoria está crescendo.

Marcas nacionais e internacionais vêm investindo cada vez mais em proteínas derivadas da carne, e a procura por alternativas ao whey protein aumentou bastante nos últimos anos.

Mas tendência não significa substituição.

Muito provavelmente, a proteína da carne ocupará um espaço semelhante ao de outras fontes proteicas, como:

  • Proteína do ovo;

  • Proteína vegetal;

  • Caseína.

Ou seja, uma opção adicional para diferentes necessidades e preferências.


Então vale a pena?

Se você gosta do whey protein e não apresenta nenhum desconforto, provavelmente não há motivo para abandonar aquilo que já funciona.

Por outro lado, se procura uma alternativa diferente, apresenta sensibilidade aos derivados do leite ou simplesmente deseja variar as fontes proteicas, a proteína da carne pode ser uma excelente opção.

No final das contas, o que realmente determina os resultados não é se a proteína veio do leite, da carne ou do ovo.

É a quantidade total de proteínas consumidas ao longo do dia, associada a um treinamento consistente e uma alimentação adequada.


A proteína da carne é moda ou veio para ficar?

Tudo indica que veio para ficar.

Talvez ela nunca ultrapasse a popularidade do whey protein, mas certamente já deixou de ser uma categoria de nicho.

Com a crescente busca por alternativas alimentares e o avanço da tecnologia na fabricação de suplementos, é provável que vejamos cada vez mais produtos desse tipo nos próximos anos.

E, para muitos consumidores, isso é uma excelente notícia.

Quanto mais opções de qualidade existirem, melhor.


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Referências científicas

  • Phillips SM. A Brief Review of Higher Dietary Protein Diets in Weight Loss: A Focus on Athletes. Sports Medicine, 2014.

  • Jäger R et al. International Society of Sports Nutrition Position Stand: Protein and Exercise. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2017.

  • Van Vliet S et al. The Skeletal Muscle Anabolic Response to Plant- versus Animal-Based Protein Consumption. Journal of Nutrition, 2015.